O movimento de jovens começou, sem dúvidas, no Hospital Militar, na Rua da Artilharia Um, em Lisboa, quando Rogério Manuel Madeira Raimundo (no restante do texto vai aparecer apenas Rogério Raimundo) e José Cândido Isabel da Silva (no restante do historial vai ser designado por José Cândido) se encontraram, nos princípios de 1973 e aí decidiram que iriam avançar com este processo quando o José Cândido viesse para a Cela.
Os 2 Celenses viviam duas situações especiais... O José Cândido tinha sido ferido na guerra colonial e estava a ser tratado para levar uma prótese... O Rogério Raimundo era estudante de engenharia no Instituto Superior Técnico e a luta dura dos estudantes (contra a guerra colonial e contra o sistema de avaliação...) tinha levado ao encerramento do Técnico por um período de 6 meses... Os dois estavam, assim, a tempo inteiro nesse movimento...
O José Cândido começou a recolher adesões. Muitas ideias iam surgindo... O José Cândido apresentava muitas...
Acabaram por concretizar a ideia de que tinha que ser pelo teatro e variedades que deviam aparecer perante os Celenses. O Rogério Raimundo propôs a comédia “Médico à Força” de Molière e começou a encenar. O grupo aceitou e começaram os ensaios, em Julho de 1973, nas câmaras frigoríficas, emprestadas pelo Duarte Carreira. Os artistas foram os seguintes: José Aníbal Pereira, Glória Lorvão, Isaura Gil, António Firmino, António Afonso Gonçalves, Carlos Cebola, Fernando Joaquim, Lurdes Vicente, Daniel Agostinho... O João Paulo Raimundo foi ponto. Na festa das Carrascas, por mero acaso o José Cândido e o Rogério Raimundo encontraram António Natividade e este ofereceu-se para ajudar. Foi este Alcobacense que trouxe José Marques Costa.
A reunião de todos os envolvidos no final dos ensaios produzia várias pistas para concretizar. A correspondência e o que se fazia era tratado com a máxima democraticidade. Depois havia sempre um petisco retemperador.
Para exemplificar... O José Cândido admirava Igrejas Caeiro e propôs que lhe escrevêssemos para lhe pedir apoios. E não é que nos respondeu. Recordamos este facto porque foi um grande incentivo receber palavras duma personalidade nacional a dar-nos força para continuar.
A Junta de Freguesiade então era constituída por 3 reformados (todos já falecidos): do exército, o Major Gedeão; da Marinha- O Sr. Leonardo; .e da CP – o Sr. Manuel Fonseca. Curiosa a promessa feita ao Rogério Raimundo e ao José Cândido: se conseguissem fazer o que sonhavam punham os seus nomes em duas ruas da Cela...
Padre António Carmo Vicente(falecido em ...) apoiou-nos desde a primeira hora...Acompanhava alguns ensaios... É de recordar uma ida à Fundação Calouste Gulbenkian no carro dele, um “carocha” para tentar apoios...
Foi decidido que a data de fundação seria 6 de Outubro, porque foi o primeiro espectáculo de teatro, na ex- oficina dos irmãos Figueiredo. Foi uma grande noite de teatro e variedades. A peça escolhida foi “O médico à força”, de Moliére. As variedades tinham uma grande componente dos artistas amadores de Valado de Frades. Um sucesso. O serão foi de inteiro agrado das 220 pessoas que presenciaram. O artista principal foi sem dúvida o “Zé” Aníbal no papel de falso médico. Foi uma demonstração viva da capacidade de realização daquele grupo de jovens...
Hesitámos... Já tínhamos o dia de Agosto de 1973, em que foi aprovado o nome Centro Cénico da Cela, no final de um ensaio da peça, numa das câmaras de fruta do Duarte Carreira. É interessante recordar que houve mais propostas... O José Aníbal apresentou 3 designações pândegas... Se ele tivesse apresentado só uma, provavelmente tinha ganho...
O dia da excursão, em meados de Setembro do mesmo ano, que envolveu toda a freguesia da Cela, também foi hipótese. A ideia também partiu do José Cândido. Tinha um grande objectivo: “de aproximação entre o povo da sede e do povo dos lugares”... Foram 3 camionetas com povo de todos os lugares da freguesia. O Casal dos Ramos (com a Lurdes Fonseca a puxar) e a Cela Velha (com a Iva Vieira a dinamizar...) responderam bem... Naturalmente, a sede levou mais gente. Imaginem 150 pessoas em convívio. Fomos à península de Setúbal...
Além do teatro que teve plena actividade até 1980 e das excursões que passaram a ser regulares pontos de convívio e confraternização há que registar duma forma sumária, nas próximas páginas, os grandes acontecimentos do arranque da nossa colectividade.