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Grupo de Teatro do Valado - 1989

Actuação de um grupo de Teatro do Valado no CCCela - 1989

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Estagiários e Programas de Ocupação de Tempos Livres para Jovens

Desde 1986 que passámos a ter estagiários na nossa instituição. Também nos candidatámos a programas promovidos pelo Instituto Português da Juventude. Os trabalhos deles e, principalmente, delas estão arquivados com todo o carinho. São testemunhos muito interessantes que não podemos esquecer. Registamos alguns pormenores para aguçar a vossa curiosidade.

A primeira estagiária foi quando terminava o curso de assistente social. Foi Francelina Carvalho que foi admitida no final do estágio e que implementou toda a dinâmica das valências sociais até 1991...

Para exemplificar, em 1996, candidatámo-nos a um OTL: Programa Historiar a Cela. Recolher Histórias da Vida dos Idosos.

A Jovem Sónia do Carmo, agora dirigente da colectividade e elemento do grupo Folclórico do CCC realizou um excelente trabalho. A Patrícia Maurício (grande dinamizadora do Grupo de Dança Rítmica “Butterfly”), por exemplo, recolheu a história que reproduzimos “A morte de um sardão”. História que o marcou e foi contada pelo Sr. Humberto que foi durante muitos anos coveiro no cemitério da Cela. É utente do nosso Lar de Idosos desde o Outubro de 1995 e é utente do Centro de Dia desde ...

O sardão é um dos animais mais perigosos. Atira-se ás pessoas e para se deslargar é preciso um ferro quente. De contrário morde e fica agarrado sem largar a vítima...

Andava a arranjar uma cova quando vi um sardão, debaixo duma laje, já muito velho, muito grande.

No dia seguinte, fui de novo, ao pé dessa lage e lá estava, novamente, o dito sardão e pensei que tinha de o matar.

Agarrei uma baldeta de fazer os cantos às covas e quando o sardão metesse a cabeça de fora, espetava-lhe a baldeta no pescoço até ele morrer. Assim foi. Este abriu muito a boca e deu bastantes bardascadas com o rabo. Esteve , pelo menos, 2 horas a morrer.

A Ana Daniela da Silva (que mais tarde trabalhou no Bar da nossa colectividade) recolheu da História da Vida da Dona Gertrudes Luísa, que nasceu a 2.2.1918 e que é nossa utente no Lar de Idosos.

Tinha 11 anos quando fui para a quinta cavar, para o pé das mulheres. Depois, íamos almoçar a casa, aí às 10 horas (agora é lanche, é isto, é aquilo, antes era o almoço...). Íamos almoçar a casa, sempre a correr, direito a casa. Quando chegávamos lá, comíamos qualquer coisita. E olhe, em meia hora, o que é que a gente comia?... Depois, toca a trabalhar. Ali à torreira do sol. Que queimava agente ali! Depois, era apanhar vides, era cavar, fazer o serviço do campo!...

Quando tinha, parece-me, 15 anos, fui para a erva para o gado. Eram 2 juntas de gado. Era de manhã à noite a apanhar erva, a acarretá-la, depois, aos molhos e aos ceiros, todo o dia, de manhã à noite.

Quando tinha 21 anos, casei-me, numa vida de miséria. Tive o primeiro filho. Depois...Umas casinhas de renda... Não havia mais dinheiro. Passei o que Deus sabe...Os meus sogros eram também pobres e não me ajudavam em nada. A minha sogra foi sempre contra o meu casamento, por eu ser pobre, pois eram pobres também... E foi assim, graças a deus que casámos. Ele sempre foi bonzinho para mim e para os meus filhos. Comecei a ter filhos. Tive oito filhinhos. Sou mãe de oito filhos, graças ao Pai do Céu. E todos se podem ver. Criadinhos com o meu suor e do pai. Nunca roubei nada a ninguém. Trabalhei muito, mais o pai. Andava com eles atrás de mim. Juntei na escola quatro. Às vezes queria vestir-lhe roupinha lavada e era Inverno. Lá estava eu a fazer lume, para enxugar a roupinha, para eles irem limpinhos. E não davam nada à gente. Não é como agora. Agora dão, não é? Dão aquele terintimtim. Ninguém tinha, ninguém dava...Mas pronto, eu lá os criei, sem vergonha do mundo. O Senhor tem sido meu amigo. Deu-me muita saúdinha.

Depois fiquei sem marido aos 64 anos. O que valeu é que já tinha os meus filhos mais velhos casados. Os outros também já se casaram e dão-se bem, na graça do Senhor.

Eu estou aqui no Lar e gosto muito de estar aqui: tratam-me bem, come-se bem, muito asseio, não pode ser melhor!

Trabalhei muito, para criar os meus filhinhos e eles agora ainda me ajudam para eu estar aqui. A vida é assim. Estou feliz de aqui estar. Tenho setenta e...Vou fazer 79 anos e aqui estou, à vista do Senhor. Deus tem-me ajudado muito. Ainda ontem fui ao culto a Caldas da Rainha: que maravilha, tanta gentinha a orar ao Senhor, tantos rapazinhos novos. È uma alegria. Bem cada qual é como cada um.

E hoje estou feliz, estou feliz. Se Deus me quiser levar, tenho o meu coração limpo. O Senhor é que sabe quando me há-de levar e estou preparada para isso. Estou bem.

O estágio profissional de Alexandrina Esgaio, como Educadora Social, em 1996, também merece um destaque porque foi contratada como trabalhadora do CCC. Pediu a rescisão do contrato em 2003.

1997. A Escola Secundária D. Inês de Castro também realizou estágios em parceria com o CCCela na área da secretaria: Célia Gonçalves...

Nos últimos anos a Escola Profissional de Agricultura de Cister tem colocado vários estagiários no CCC.

Curioso foi o estágio, em 2002, duma educadora brasileira, a Andreia, ao abrigo do Protocolo de amizade Portugal-Brasil.

Neste momento temos os seguintes estágios profissionais: educadora na creche, secretária, animadora social para a 3ª idade.

 
 
 
 
   
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